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O que é e o que a causa?

A Febre é a manifestação mais comum de doença na idade pediátrica, sendo a causa mais frequente de procura dos cuidados de saúde. É definida como elevação da temperatura corporal acima de determinado valor e pode surgir associada a processos inflamatórios, neoplasias, traumatismos, entre outras causas.

Ao longo do dia a temperatura varia entre os 36 e os 37ºC pela manhã e pode chegar aos 38ºC ao fim da tarde (temperatura rectal). Assim, é considerado febre:

  • Temperatura retal acima dos 38ºC (no Verão pode-se aceitar apenas acima dos 38.3ºC)
  • Temperatura oral acima dos 37.8ºC
  • Temperatura axilar acima dos 37.2ºC
  • Temperatura do tímpano acima dos 38ºC (em modo retal) ou 37.5ºC (em modo oral)
  • Temperatura da testa acima dos 38ºC

Qual a melhor forma de medir a temperatura?

As medições a nível oral ou retal são as mais fiáveis.

Abaixo dos 4 anos é recomendado medir a temperatura retal.

Nas crianças com 4 anos ou mais a temperatura oral é também fiável desde que siga as seguintes indicações:

INSTRUÇÕES PARA CORRETA MEDIÇÃO DA TEMPERATURA ORAL:

  • Esperar pelo menos 30 minutos após a criança tiver bebido ou comido algo quente ou frio.
  • Lave o termómetro com água fria e sabão. Depois enxague-o.
  • Posicionar a ponta do termómetro debaixo da língua da criança. Dar instrução à criança de segurar o termómetro com os lábios (e não com os dentes) fechando completamente a boca em redor do termómetro.
  • Esperar pela indicação do termómetro se este for digital (geralmente, menos de 1 minuto) ou cerca de 3 minutos se o termómetro for analógico.

Medidas gerais – o que fazer para ajudar uma criança com febre?

As medidas gerais podem ajudar a uma redução mais rápida da temperatura e a dar um maior conforto à criança e incluem:

1. Hidratação/Alimentação

A transpiração e a falta de apetite associados a uma síndrome febril podem induzir alguma desidratação, por isso devem ser oferecidos à criança líquidos com regularidade.

Relativamente à falta de apetite, faz parte do quadro, portanto os pais devem ficar tranquilos, pois com a resolução do quadro o apetite voltará e não será por 2-3 dias que a criança ficará desnutrida.

2. Vestir/Despir

Na fase inicial em que a criança apresenta calafrios e/ou extremidades frias poderá aquecê-la. De seguida, quando a temperatura atingiu o pico e o corpo começa a libertar o calor deve-se despir a criança.

3. Repouso

Embora não seja recomendado forçar a criança a dormir ou descansar, esta deve ser encorajada a fazê-lo se o quiser.

4. Banho

O arrefecimento com recurso a banho não é obrigatório mas poderá ajudar a uma redução mais rápida da temperatura corporal em alguns graus (de 40-41ºC para 37-38ºC) e deve ser feito a uma temperatura de 37ºC por um período máximo de 10 minutos.

Quando tratar a febre com antipiréticos? Os antipiréticos são sempre necessários?

A Febre representa um mecanismo de defesa do nosso organismo contra a infecção e o seu tratamento visa unicamente a prevenção de complicações de hipertermia, bem como o bem-estar da criança. Mais do que o valor da temperatura, é o aspeto e comportamento da criança que mais importa. O tratamento com antipirético não é sempre necessário. Por exemplo, para uma criança ou bebé com mais de 3 meses de idade que tenha uma temperatura retal abaixo dos 38.9ºC e que esteja ativa e a agir normalmente não precisa de antipirético, bastando atitude vigilante dos cuidadores.

Que antipirético usar?

O antipirético mais largamente difundido e recomendado como 1ª linha em idade pediátrica é o paracetamol. A dose a administrar deve ser adequada ao peso da criança e não à sua idade. A dose recomendada é de 10-15 mg/kg cada 4-6 horas até 5 vezes nas 24 horas.

O ibuprofeno poderá representar uma alternativa eficaz ao Paracetamol. A dose a administrar é de 5-10mg/kg a cada 6-8 horas.

A utilização de Ibuprofeno deve ser realizada com precaução, uma vez que se trata de um anti-inflamatório e pode gerar reacções de hipersensibilidade em crianças mais pequenas ou em crianças asmáticas.

Alternar antipiréticos?

Na verdade os estudos mais recentes de medicina baseada na evidência sugerem que a prática de alternar paracetamol com ibuprofeno não auxilia na descida mais rápida da temperatura corporal nem tem maior eficácia que qualquer um dos dois usado na dose adequada.

Na verdade, o esquema de alternância poderá levar a uma maior complexidade de administração ou facilitar os erros de dosagem. Para além disso, o uso de ibuprofeno pode ser mais perigoso.

Quando levar uma criança com febre ao médico?

Na maioria das situações a criança pode ser observada e tratada em casa. Mas é importante saber os sinais de alerta.

  • Bebés com menos de 3 meses de idade com temperatura retal de 38ºC ou superior (mesmo que bebé aparente estar bem).
  • Crianças entre os 3 meses e os 3 anos de idade com temperatura retal de 38.9ºC ou superior (mesmo que aparente estar bem).
  • Crianças entre os 3 meses e os 3 anos de idade com temperatura retal de 38ºC ou superior SE:

          – por mais que 3 dias ou

– criança com aspeto doente ou

– criança irritada, “murcha” ou

– criança que se recuse a comer ou beber líquidos.

QUALQUER BEBÉ OU CRIANÇA COM:

  • Temperatura retal de 40ºC ou superior (ou axilar de 39.4º ou superior).
  • Uma convulsão causada pela febre
  • Febres recorrentes (mesmo que durem poucas horas)
  • Febre e um problema clínico crónico (como doenças do coração, lúpus, anemia das células falciformes, entre outras)
  • Febre associada a manchas na pele
  • Mau estado geral / prostração (criaça muito “murcha”) que não passa no período sem febre
  • Recusa a comer ou beber líquidos
  • Desidratação
  • Dificuldade respiratória
  • Vómitos incoercíveis (que não passam com nada)
  • Extremidades do corpo sempre frias ou cianosadas (arroxeadas)

NOTA: estas são indicações genéricas e não se aplicam a todas as situações específicas; pais com dúvidas ou preocupados com a saúde da sua criança deverão contactar um profissional para aconselhamento.

Quando voltar à escola e atividades normais?

A criança pode voltar à escola ou a outras atividades após 24 horas de apirexia.

Este artigo foi também preparado para o website do autor O Melhor do Mundo – informação médica em saúde infantil e juvenil.

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Dr. Hélder Aguiar

Medicina Geral e Familiar