O Regresso às Aulas | knok blog
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Com o regresso da escola voltam as rotinas, a alegria de rever os amigos e colegas, mas também voltam as preocupações, sobretudo dos pais. Estas preocupações podem estar relacionadas com a entrada dos filhos na escola pela primeira vez, com as dificuldades no processo de aprendizagem, com as infeções e outros problemas de saúde, com as mudanças alimentares envolvidas, entre tantas outras. Vamos abordar algumas destas  dificuldades!

Entrada/regresso à escola

Este momento é, em alguns casos, gerador de alguma ansiedade quer para os pais/cuidadores, quer para as crianças, mas constitui uma parte integrante do desenvolvimento infantil.

Situações de mudança ou instabilidade familiar e ansiedade excessiva ou superproteção dos pais podem contribuir para que esta separação seja mais difícil. Podem surgir queixas físicas repetidas (dor de barriga, dor de cabeça), recusa em ir à escola, etc.

O que pode fazer:

  • procurar não demonstrar a sua própria ansiedade, transmitindo confiança (“vai tudo correr bem”);
  • criar rotinas (hora de ir para a cama e de acordar, se possível antes da escola começar);
  • explicar que vai embora, despedir-se e dizer “até logo”, explicando que volta ao fim do dia com segurança;
  • deve procurar que o seu filho não falte consecutivamente à escola;
  • realçar os aspetos positivos da escola (amigos, educadores, brinquedos, atividades);
  • algumas orientações defendem uma separação gradual, podendo ser uma boa opção;
  • notando que está com dificuldades ou que as queixas do seu filho não passam deve procurar ajuda!

Viroses, piolhos e outras infeções

Com a entrada na escola, por maiores que sejam os cuidados dos pais e dos educadores, as crianças ficam mais vezes doentes, os educadores mais preocupados com a propagação das infeções e os pais mais aflitos com a necessidade de ir buscar os filhos à escola, contactar o médico e garantir que tudo corre bem. Nas comuns infeções respiratórias, gastroenterites agudas e outras viroses será importante estar atento a:

  • febre que se prolongue por mais de três dias, mesmo utilizando antipirético (ex: paracetamol);
  • vómitos e diarreia que podem beneficiar de soros de re-hidratação oral, garantindo uma adequada hidratação e eventualmente de probióticos;
  • dores de ouvido ou de garganta que podem inicialmente beneficiar de analgésico (ex: paracetamol) mas mais tarde de outra medicação
  • é sempre importante garantir uma alimentação adequada, que seja do conhecimento dos pais.

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E quando falamos de PIOLHOS, o que deve saber:

  • é um problema transversal a todas as crianças pela sua fácil propagação cabeça a cabeça e existem vários produtos para a sua eliminação;
  • procure saber qual o tratamento mais adequado (champô e/ou loção), passe um pente fino após o banho e retire todas as lêndeas que persistirem;

O que se pretende é eliminar rápida e eficazmente este parasita de todas as cabeças, não havendo prevenção eficaz. Ter piolhos não é sinónimo de falta de higiene!

Aprendizagem

Quando as crianças iniciam o ensino primário é essencial manter contacto com os professores e médicos assistentes a fim de detetar dificuldades específicas de aprendizagem e de criar estratégias de intervenção atempadamente. Não esquecer que muitas vezes é na escola que se detetam pela primeira vez as perturbações da visão.

Atualmente discute-se o papel dos trabalhos de casa, os seus prós e contras, mas uma rotina que inclua alguma reflexão e treino sobre o que foi aprendido será benéfica, desde que feito de forma equilibrada e respeitando o bem estar da criança.

Bullying

O termo bullying descreve atos de violência física e/ou psicológica intencionais e repetidos que ocorrem dentro de uma relação desigual de poder, podendo deixar sequelas psicológicas. Relembro algumas formas de detetar este problema, quer em casa, quer na escola:

  • desinteresse escolar recente e progressivo;
  • diminuição do aproveitamento escolar;
  • criança introvertida (diferente de sossegada);
  • criança isolada, com poucos amigos;
  • sinais de agressão física, inclusive de auto-agressão;
  • criança mais abatida, mais distraída que o habitual;
  • queixas físicas constantes (cansaço, dor de cabeça, dor de barriga);
  • irritabilidade.

O que podem os pais/cuidadores e professores fazer:

  • os pais devem incentivar a partilha de informação sobre o dia-a-dia (“o que gostaste mais e menos de fazer hoje?”), sobre colegas e amigos, onde costuma brincar e atividades extra-curriculares;
  • ensinar a criança a dizer NÃO quando se sente incomodada e a defender-se verbalmente;
  • ensinar a evitar situações, lugares e pessoa perigosas;
  • é fundamental trabalhar em equipa, comunicando com os professores/diretores de turma para delinear planos de ação;
  • se as escolas não intervirem devem ser contactadas outras instituições de apoio
  • ensinar a denunciar sempre estas situações.

Esperamos ajudá-los no regresso às aulas!

Joana Nunes

 

Dra. Joana Nunes

Médica de Saúde Geral e Familiar 

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