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Resumo

A febre na criança define-se como a elevação da temperatura corporal acima da normal variação diurna. A febre não é uma doença mas sim um sinal de doença. A causa mais frequente para a febre é a infeção, na maioria das vezes de origem vírica.
A febre tem um papel importante como mecanismo de defesa contra a infeção, por isso devemos ser moderados e racionalizados a tratá-la. O tratamento da febre tem como objetivo prevenir as complicações e proporcionar conforto à criança.
As medidas gerais, como o banho morno, podem ajudar a reduzir mais rapidamente a temperatura corporal mas devem ser associadas à terapêutica antipirética. O antipirético de escolha é o paracetamol. O ibuprofeno poderá representar uma alternativa eficaz. Por princípio, deve-se evitar utilizar dois antipiréticos alternados. Uma atenção especial deve ser dada aos sinais de alarme, que obrigam a recorrer aos serviços de saúde.

 

Introdução

A febre é uma manifestação comum de doença na criança, sendo uma das causas mais frequentes de procura dos cuidados de saúde.
A causa mais frequente de febre é a infeção, na maioria das vezes de origem vírica. A febre também pode surgir associada a processos inflamatórios. Raramente se deve a outras causas, tais como, neoplasias ou traumatismos.
Não sendo uma doença por si só, a febre como sinal de doença alerta-nos para uma causa que deve ser identificada e tratada.

 

Febre: como medir e a partir de que valor?

A correta medição da temperatura nas crianças é um dado fundamental para determinar a presença de febre. Deve-se usar um termómetro digital para medição da temperatura em vez dos termómetros de mercúrio.
Existem vários métodos para medição da temperatura corporal:

 

Termometro

  • A via retal demonstrou ser o método mais fiável e é o método recomendado até aos 3 anos de idade.
  • A via oral (na boca) é o método preferencial, a partir dos 3 anos, desde que a criança não tenha ingerido líquidos quentes ou frios nos últimos 15 minutos, mas não é considerado um método muito prático pois exige cooperação da criança.
  • A via axilar (debaixo do braço)é o método menos fiável mas é uma medição mais prática.
  • A via timpânica (no ouvido) pode não refletir com precisão a temperatura, pelo que deve ser usada cautelosamente, sobretudo se envolver decisões clínicas.

 

Ao longo do dia a temperatura corporal normal varia entre os 36 e os 37ºC pela manhã e pode chegar aos 38ºC ao fim da tarde (temperatura retal). A temperatura axilar tem valores mais baixos, cerca de 0,5ºC em relação à medida na boca e 1ºC em relação à retal. A febre define-se como a elevação da temperatura corporal acima da normal variação diurna. Genericamente, considera-se que há febre quando a temperatura retal é superior aos 38ºC (ou 37ºC na temperatura axilar).

 

Quando tratar?

Sabe-se que vários processos envolvidos no combate à infeção têm maior atividade a uma temperatura acima do normal.
A terapêutica antipirética tem, assim, como finalidade única, a prevenção das complicações (desidratação, convulsões) associadas à febre, ao mesmo tempo que proporciona maior conforto e bem-estar à criança.

 

Medidas gerais

As medidas gerais podem ajudar a reduzir mais rapidamente a temperatura corporal, mas devem ser associadas a terapêutica antipirética, pois não há evidência da sua eficácia de forma isolada:

  • Arrefecimento da criança com banho em água a uma temperatura normal (37 ºC) por um período máximo de 10 minutos.
  • Na subida térmica, quando a criança apresenta calafrios, deve-se manter a criança quente. De seguida, quando começa a haver libertação de calor e a temperatura começa a baixar, deve-se despir a criança.

A febre leva a uma perda aumentada de água, nomeadamente pela transpiração. Assim, é muito importante estar atento ao estado de hidratação da criança, oferecendo-lhe líquidos com frequência.
É normal a criança com febre ficar com falta de apetite. Com a resolução do quadro o apetite voltará ao normal, com a recuperação do peso.

 

Terapêutica farmacológica

O antipirético mais usado em idade pediátrica é o paracetamol. A dose a administrar deve ser adequada ao peso da criança e à sua idade. A dose recomendada é de 10-15 mg/kg, por via retal ou de 10-20 mg/kg por via oral, a cada 4-6 horas, até um máximo de 60 mg/kg nas 24 horas.
O ibuprofeno poderá representar uma alternativa eficaz ao Paracetamol. A dose a administrar é de 5-10mg/kg, a cada 6-8 horas.
Os estudos científicos mais recentes sugerem que o esquema de alternância do paracetamol com o ibuprofeno não auxilia na descida mais rápida da temperatura corporal nem tem maior eficácia que qualquer um dos dois usado isoladamente, na dose adequada. Na verdade, o esquema de alternância poderá levar a uma maior complexidade de administração.
Não é recomendado o uso de ácido acetilsalicílico (aspirina ®) em crianças, pela sua associação com a Síndrome de Reye (síndrome raro e grave, que ataca o cérebro e o fígado).
Os antibióticos não são antipiréticos. Apenas o seu médico poderá decidir se tomar um antibiótico está indicado.

 

Sinais de alarme

Os pais devem recorrer aos serviços de saúde, se a criança apresentar os seguintes sinais:

  • Bebé com menos de 3 meses de idade
  • Febre com mais de 3-4 dias de evolução, sem sinais de melhoria (picos febris mais espaçados e/ou mais baixos)
  • Temperatura corporal superior a 40 ºC
  • Presença de manchas ou pintas no corpo
  • Presença de gemido, convulsões, dificuldade respiratória, vómitos incoercíveis ou desidratação
  • Prostração/sonolência
  • Febre em criança com doença crónica

Conclusão

A febre é um mecanismo protetor do organismo, não sendo uma doença por si só. Regra geral, deve ser utilizado apenas um antipirético na dose adequada.

 

Bibliografia

Direção Geral da Saúde

Sociedade Portuguesa de Pediatria

American Academy of Pediatrics

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Artigo referenciado originalmente de http://www.metis.med.up.pt/index.php/A_febre_em_idade_pedi%C3%A1trica  , datado de 2017/05/06.

Autora: Liliana Beirão